domingo, 25 de fevereiro de 2007

Discos que tenho e NÃO gosto

Mas tenho que manter na coleção por razões de força maior... Esses não merecem nem citação.



Drop nº 2 - Carreiras-solo após boas bandas

Caras que mandaram bem nas aventuras ou carreiras-solo:

1- Lou Reed (Velvet Underground)
2- Richard Ashcroft (Verve)
3- Neil Young (Buffalo Springfield)
4- Peter Gabriel (Genesis)
5- Tom Verlaine (Television)
6- Paul McCartney (Beatles)
7- Iggy Pop (Stooges)
8- Syd Barrett (Pink Floyd)
9- Robert Wyatt (Soft Machine)
10-Brian Ferry (Roxy Music)
11-Richard Lloyd (Television)
12-Morrissey (Smiths)
13-Frank Black (Pixies)
14-Glenn Danzig (Misfits, Samhaim)
15-Curtis Mayfield (Impressions)


Caras que só fizeram merda quando se arriscaram a lançar discos-solo:

1- Thom Yorke (Radiohead)
2- Billy Corgan (Smashing Pumpkins, Zwan)
3- Debbie Harry (Blondie)
4- Jello Biafra (Dead Kennedys)
5- Mick Jagger (Rolling Stones)
6- Joe Strummer (Clash)
7- Dave Gahan (Depeche Mode)
8- Nina Persson (Cardigans)
9- Phil Collins (Genesis)
10-Roger Waters (Pink Floyd)
11-Boy George (Culture Club)
12-Lionel Ritchie (Commodores)
13-Robbie Robertson (Band)
14-Ritchie Blackmore (Deep Purple, Rainbow)
15-Keith Richards (Rolling Stones)


Coluna do meio:

1- Jarvis Cocker (Pulp)
2- Ian McCulloch (Echo and the Bunnymen, Electrafixion)
3- Ozzy Osbourne (Black Sabbath)
4- Rita Lee (Mutantes)
5- John Lennon (Beatles)
6- Bruce Dickinson (Iron Maiden, Samson)
7- Diana Ross (Supremes)
8- Rod Stewart (Faces)
9- Eric Clapton (Yardbirds, Bluesbreakers, Cream)
10-Everlast (House of Pain)
11-Steve Winwood (Traffic)
12-Marc Bolan (T.Rex)
13-Evan Dando (Lemonheads)
14-Graham Coxon (Blur)
15-Tim Burgess (Charlatans)

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Álbuns e bandas que cairão (ou já caíram) no esquecimento (mas são muito legais)

Uma pena... Tem muita coisa legal nesses discos, apesar de nenhum deles ser um primor de originalidade. Alguns fizeram algum sucesso quando foram lançados, mas hoje poucos se recordam o nome de alguma faixa das bandas citadas. Mas é música pop, originalidade às vezes tem que ficar em segundo plano.

1- Electric Soft Parade - Holes in the Wall (2001)
Britpopsters tardios (porque apareceram após o declínio da onda) e precoces (tinham menos de 20 anos quando lançaram esse belo trabalho). Muita influência de Radiohead circa '95, algumas eletronices leves e muita melodia.
Pra conhecer: Biting the Soles of my Feet

2- The Caesars - Paper Tigers (2004)
Suecos que começaram com um som garageiro à Stooges e early Stones, mas evoluíram para um som mais melodioso e doce, com guitarras, vocais e visual bem 60's. O disco vai muito além da conhecida Jerk It Out.
Pra conhecer: My heart is breaking down

3- Thousand Yard Stare - Seasonstream EP (1991)
Uma das milhares bandas que chupavam diretamente o som dos Smiths. Esse EP tem tudo que é preciso conhecer deles.
Pra conhecer: Keepsake


4- New Radicals - Maybe You've Been Brainwashed Too (1998)
Blue eyed soul ainda mais plastificado, mas com ganchos irrestisíveis, letras irônicas e péssimo senso de timing (acabar com a banda não foi uma boa idéia quando suas canções tocavam muito até nas rádios populares).
Pra conhecer: você já deve conhecer You get what you give, então baixe Jehovah made this whole joint for you (título genial!!!)

5- Trash Can Sinatras - Cake (1989)
Outro clone dos Smiths, esses com mais canções legais que o TYS. Belas tramas de guitarras, vocais melancólicos e letras reflexivas pra fã nenhum do Morrissey botar defeito.
Pra conhecer: Obscurity Knocks

6- Eugenius - Oomalama (1992)
Power pop mais rústico que um Redd Kross, mas ainda assim mais elaborado que a banda de onde saiu Eugene Kelly, os Vaselines. Uma versão mais ríspida e menos doce do Teenage Fanclub, igualmente escocês.
Pra conhecer: I'm the sun

7- Superdrag - Head Trip in Every Key Hole (1998)
Pop guitarreiro que agradaria fãs de Beatles, Teenage Fanclub, Badfinger e até Foo Fighters, pela pegada punk de algumas músicas.
Pra conhecer: Sold you an alibi


8- Ikara Colt - Chat and Business (2002)
Sonic Youth-wannabes que lançaram esse trabalho de estréia tenso, com boas guitarras e bastante noise.
Pra conhecer: Video clip show



9- Echobelly - On (1995)
Uma das muitas bandas que apareceram durante a explosão do britpop e desapareceram sem deixar rastros. Muita new wave, letras inofensivas e boas composições, lembrando muito o contemporâneo Elastica, até pelo vocal feminino.
Pra conhecer: King of the Curb

10- Call and Response - Winds take no shape (2006)
Pop delicado, com influências de europop sessentista e algo de 10,000 Maniacs que ninguém ouviu nem quando foi lançado. Uma versão light do Stereolab, sem experimentalismos.
Pra conhecer: Trapped under ice

11- Madder Rose - Panic On (1995)
Rock com vocal feminino, sem atitude riot grrrl, como era comum à época. Ora soturno, ora intenso.
Pra conhecer: Happy new year



12- Mopho - Mopho (2000)
Mutantes e Beatles, com algo de hard rock. Bela banda alagoana que soava obviamente fora de época. Letras um tanto viajandonas demais, mas ainda assim um som bem legal, com bela pegada pop, muita tecladeira vintage e boas melodias. Psicodelia simples, cantada em português, extremamente eficiente.
Pra conhecer: Não mande flores

13- Velocity Girl - Copacetic (1994)
Seguidores tardios da class of '86 britânica, esses americanos eram uma das apostas da Sub Pop após o estouro do Nirvana. Não deram em nada comercialmente, mas pelo menos deixaram esse belo álbum de bubblegum um tanto etéreo, mais guitarreiro e pés-no-chão que, por exemplo, os britânicos do Lush.
Pra conhecer: Crazy Town

14- Terrorvision - Regular Urban Survivors (1996)
Banda que mesclava pitadas de metal, hardcore e britpop sem se levar muito a sério, num álbum conceitual que narra algo que parece ser uma aventura sci-fi de espionagem.
Pra conhecer: Perseverance

Discos que nem acredito que tenho... e gosto ainda por cima!

Existem aqueles discos meio remanescentes de outras fases da sua vida; aqueles que você nem tem um motivo específico pra ter gostado; aqueles que você acabou procurando por causa de conexões com coisas que você curte (o vocalista x da banda y que trabalhou de garçom no boteco do empresário do grupo z, cujo baixista w tocou no primeiro álbum-solo do baterista da banda h, e por aí). Não chego ao extremo de ter disco com hinos de times, como um velho amigo meu, mas algumas coisas surpreendem até a mim mesmo.

Mahavishnu Orchestra - Apocalypse
Iletrados na parte técnica da música não costumam ser grandes fãs de jazz fusion, mas gosto muito de algumas coisas de Mahavishnu Orchestra, Weather Report e até Spyro Gyra, sem contar Miles Davis. Esse álbum, que tem participação de Jean-Luc Ponty, em especial, não parece com praticamente mais nada da minha coleção. Mas é legal, tem umas climas legais, variadões e os timbres são bem agradáveis a meus ouvidos na maior parte do álbum. Não é algo que entenda, simplesmente gosto.

Entombed - Wolverine Blues
Death metal mais cadenciado, com influências de punk, noise e classic rock. Satisfaz a necessidade de riffs pesadões que aparece bem de vez em quando, e você nem precisa estar no gueto "metal na veia" pra gostar.



Ace of Base - Happy Nation
O vinil estava bem baratinho... E nem é tão diferente assim de coisas cult, como Only Love Can Break Your Heart, cover de Neil Young feito pelo grande Saint Etienne (mas cuja base é um house bem pouco ácido, quase ítalo, pra falar a verdade).



Guilherme Arantes - Coração Paulista
Olha, galera. O preconceito é forte, as coisas mais recentes dele são realmente um lixo. Mas quando saiu do grupo Moto Perpétuo, Arantes fez alguns trabalhos bem legais, numa linha rock direto e baladas ao piano que lembram muito bons momentos de Elton John. Pena que as letras sejam um bela droga.

Smurfs - Aí vem os Smurfs
Esse eu comprei única e exclusivamente por causa da capa. Souvenir mesmo, pra lembrar the good ol' times...

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Drop nº 1 - Músicas pra tocar em um casamento


Tem coisa pior que sempre ouvir My Way ou Yesterday???? Cinco opções melhores, sem pensar muito:

1- Beatles - In my life
2- Beach Boys - God only knows
3- Stevie Wonder - I believe (When I fall in love it will be forever)
4- Raconteurs - Together
5- Smashing Pumpkins - By starlight

10 Discos...

Deixarei bem claro. Esta não é a lista dos melhores álbuns que já ouvi. Muitos discos aqui citados não freqüentam meu som há muitos anos, não apenas por falta de tempo, mas por que já não me dizem mais nada. Além de nada acrescentarem a mim, também não me agradam por razões estéticas mesmo. Apesar disso, em alguma fase da minha vida, foram de importância capital para que eu me tornasse o rock-addict que sou hoje. Vou apresentá-los de forma cronológica, na seqüência em que foram por mim conhecidos, para que eu possa tentar entender o contexto próprio a cada um deles (a primeira data indica o lançamento, a segunda o ano em que conheci a obra). Que Nick Hornby me cobre os royalties depois...

1- Guns n' Roses - Appetite for Destruction (1988/1990)
Aos 10 anos de idade, poucos levam música muito a sério. Até então, minha vida cultural se restringia a livros infanto-juvenis (alguém se lembra da série Vagalume?) e gibis, muitos gibis de super-heróis. Música pra mim era apenas algo incidental (me lembro apenas que nunca gostei de música infantil, mas gravava Michael Jackson, Cindy Lauper e outras coisas das quais não me orgulho muito a partir de rádios FM). Foi então que me deparei, através de uma novela ou um reclame comercial, não me lembro, com Sweet Child o' Mine. Aquele riff de introdução, o solo e a melodia me inspiraram muito naquela época... Comprei uma fita cassete piratona mesmo e comecei a praticar air guitar no meu quarto com freqüência. E tomei contato com o rock'n'roll, o único relacionamento estável que tive em toda minha vida. Hoje, acho Sweet Child o' Mine simplesmente chata, com aquele riff de introdução rocambolesco e sua letra ultramelosa. Mas nunca vou negar sua importância pra mim.

2- Iron Maiden - Fear of the Dark (1992/1992)
Já portando fitinhas de Guns n' Roses, Faith No More, Scorpions e Oingo Boingo entre outras tralhas, mas ainda sem muito foco, me deparei com um programa chamado Som Pop, apresentado pelo figuraça Kid Vinil (pra mim a essa altura, apenas o cara que cantava "Sou boy"), no caso, um especial sobre heavy metal e hard rock. De repente, toda minha contestação pré-adolescente se encontrou entre clipes de Black Sabbath, Led Zeppelin, Deep Purple, Iron Maiden e Sepultura. No dia seguinte, comprei mais essa fitinha e fiquei a escutando por dias a fio, além de desenvolver uma leve predileção por roupas pretas (nada muito sério, na verdade) e pôsteres de bandas e monstros/diabos no meu quarto. E todo som pra mim tinha que ter guitarronas esporrentas, tanto que simpatizei pelo punk/hardcore na mesma época. Acabara de vender minha alma pro rock pesado.

3- Nirvana - Nevermind (1991/1992)
Mais próximo do final do ano, li uma matéria sobre o Nirvana no Caderno 2, do Estadão, e achei interessante aquele cara todo cheio de sacadas e tão elogiado pelo jornalista responsável. O Nirvana já tinha estourado nos EUA e rolava aquela história de ter desbancado Michael Jackson das paradas (ícone maior do "pop comercial", um rótulo que me despertava mais do que desdém, verdadeiro ódio). Obviamente, não entendi nada sobre o papo de influências de hardcore, rock inglês, guitar bandas, garage rock, Beatles etc. Corri atrás do disco e... paixão à primeira audição. O que era aquela Smells Like Teen Spirit??? Vontade de gritar, tocar air guitar e pular pelo quarto, oscilando com os momentos mais calmos, no qual pegava bem ficar fazendo poses reflexivas e angustiadas. Mal sabia eu que o Nirvana, que pra mim era apenas a banda mais quente de rock pesado do momento, abriria as portas pra que eu passasse a ter uma visão mais ampla do rock. Kurt Cobain, com suas entrevistas em que citava bandas até então obscuras, sua revalorização de coisas consideradas "uncool" à época, como AC/DC e o early Aerosmith, as constantes reverências ao rock dos anos 60, a iconoclastia em relação aos posers, tudo aquilo teve um efeito contundente. E iniciei meus anos de pesquisa em busca de novas bandas e sons, que perdura até hoje. Por isso, sou eternamente grato ao Nirvana. Se fui batizado por Appetite for Destruction e crismado por Fear of the Dark, minha profissão de fé passou a se chamar Nevermind.

4- The Beatles - The Beatles [White Album] (1968/1994)
Após iniciar meu culto ao Nirvana, muitos preconceitos que vigoravam nos meus metal years mais xiitas (que duraram pouco tempo, in fact) caíram por terra. Um vinil que sempre esteve jogado às traças em minha casa, creio que de meu cunhado, foi então escutado, mais por curiosidade, sem qualquer grande expectativa. E descobri os Beatles. Back in the USSR, Birthday, While my Guitar Gently Weeps e Helter Skelter quebraram a resistência metaleira/punk inicial. E abriram as portas para belezas eternas como Blackbird, I Will, Sexy Sadie e Dear Prudence. O que inicialmente era um grande respeito por uma banda sabidamente importante, transformou-se em paixão. Antes tarde do que nunca...

5- Oasis - (What's the Story) Morning Glory (1996/1996)
Bom, após uma grande resistência inicial, afinal era difícil aturar a arrogância dos Gallagher antes de conhecer suas canções, e Wonderwall nunca representou grande coisa pra mim, resolvi dar uma chance pro Morning Glory. E percebi que foi ele quem deu uma chance pra mim, na verdade. Quando ouvi She's Electric, Champagne Supernova e Some Might Say... Bem, aí dava até uma sensação legal: "PUXA, É A MAIOR BANDA DO MUNDO!" E assim caí de cabeça no rock inglês.

6- The Smiths - Hatful of Hollow (1984/1997)
Todo adolescente confuso e depressivo deveria conhecer os Smiths (antes que se torne emo)... As canções certas no momento certo. Afora as afetações, faz com que você repense o preconceito contra gente sensível e letras derramadas. E também mostra como guitarras podem ser bem tocadas com poucas notas e muita criatividade. Nem preciso dizer que Heaven Knows I'm Miserable Now virou quase um hino à época, né...


7- The Stone Roses - The Stone Roses (1989/1997)
De repente, conhecer os Stone Roses me fez pensar: "dane-se o Oasis, essa é a matriz de todo o melhor britpop!" De fato, os Roses praticamente iniciaram toda a movimentação em torno do novo pop britânico. Trazendo boas influências que andavam meio esquecidas durante os 80's (Beatles, Byrds, Zombies etc), sem medo de experimentações com música eletrônica e, principalmente, com excelentes composições, canções como She Bangs the Drums, I am the Ressurrection e Fools Gold passaram a freqüentar meu toca-discos quase que diariamente. E me fizeram conhecer outras bandas que marcaram essa época para mim, como Charlatans e Happy Mondays.

8- Prodigy - The Fat of the Land (1997/1997)
A ojeriza à música eletrônica ainda perdurava em mim até essa época. Foi necessário cair de cabeça nos Stone Roses para perceber que esse radicalismo era mais um resquício de minha fase metálica do que propriamente um asco espontâneo. O Prodigy, que burilou à perfeição seu punk eletrônico nesse álbum, foi o passo seguinte. Breathe e Serial Thrilla foram meu passaporte para esse universo, e para que conhecesse alguns dos artistas que mais ouvi nos anos seguintes, como Moby, Chemical Brothers, Underworld, Orbital e Leftfield, além de passar a curtir muita coisa de hip hop também, especialmente Cypress Hill, House of Pain e Beastie Boys. Ah, também passei a aproveitar muito mais as baladas regadas à big beat que rolavam nessa época.

9- Radiohead - The Bends (1995/1997)
Está bem, eu admito. Fui um dos muitos ignorantes que tomaram conhecimento acerca do Radiohead através do reclame da APAE. Achava vergonhoso assumir isso, mas em tempos de acesso difícil à internet e com grana curta para comprar muitas revistas e discos, a realidade era bem diferente. Bem, foi amor instantâneo, primeiro por Fake Plastic Trees, depois por todo o disco, um dos últimos cujas letras ainda lembro perfeitamente. A intensidade das interpretações, a melancolia explícita e as letras bem elaboradas fisgaram não só a mim, mas a toda uma geração de garotos angustiados, que depois formariam suas próprias bandas (Coldplay, Starsailor, Muse etc). Alguns continuariam estudando, contudo...

10- Radiohead - Ok Computer (1997/1998)
Bem, pra finalizar a brincadeira, o álbum que acabou com a última das fronteiras que eu insistia em colocar em minhas preferências: o rock progressivo. Não que tenha me tornado um consumidor contumaz de coisas como Emerson, Lake & Palmer e Yes após esse álbum. Mas me tornei muito mais complacente e disposto a conhecer as bandas desse estilo. Acabei odiando algumas coisas muito rococós do Yes, por exemplo, mas também conheci maravilhas como alguns trabalhos do King Crimson, Fragile (do próprio Yes) e coisas do Genesis com Peter Gabriel que ainda fazem parte da minha discoteca básica, além de me tornar consumidor do rock psicodélico de todas as épocas, de Pink Floyd/Syd Barrett, Love e Jefferson Airplane a Mercury Rev, Flaming Lips e bandas da Elephant 6. E esse álbum teve mais importância além disso tudo. Afirmo sem medo de estar enganado que foi o disco que por mais tempo perdura como meu favorito, tendo sido importante pra mim em momentos tão díspares quanto inesperados, seja por suas melodias arrebatadoras, seus efeitos eletrônicos que sempre me surpreendem e suas letras magníficas que me sugerem diferentes interpretações a cada nova audição.

Well, provavelmente me lembrarei de outros 700 discos que me influenciaram nos próximos minutos, mas por ora posso dizer que esse retrato foi o mais espontâneo que pude produzir no momento. As escolhas foram bastante óbvias, levando-se em conta a época em que fui adolescente. Mas não haveria outro jeito. Dificilmente, alguém ouve Can, Faust, United States of America ou mesmo Velvet Underground e Love sem nenhum estímulo externo ou influência prévia. Sou muito grato a esses caras todos que foram citados acima; eles tiveram um belo quinhão de importância pra que hoje eu seja quem sou, e goste das coisas que gosto. Por mais piegas que essa babação de ovo soe...

Espero que postem suas listas pessoais entre os comentários...

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Frank Miller e o Demolidor


No final dos anos 70, o Demolidor (Daredevil) encontrava-se numa de suas piores fases. Filho de um boxeador fracassado, Matt Murdock foi um garoto que, ao salvar um idoso de um atropelamento, entrou em contato com material radioativo e perdeu a visão, mas, em contrapartida, teve seus outros sentidos ampliados. Tornou-se mais tarde um advogado ligado às causas sociais, além de se tornar um herói responsável pela segurança de seu bairro, a Hell's Kitchen, após um acerto de contas com os responsáveis pelo assassinato de seu pai. Nota-se que, em sua concepção, tratava-se de um personagem relativamente rico em detalhes, porém durante os anos 70 a Marvel Comics optou por torná-lo um herói straightforward, lutando contra invasões alienígenas, supervilões fantasiados etc, inclusive retirando-o de New York e transferindo suas histórias para San Francisco. O resultado dessa linha editorial foi um queda de vendas e popularidade que levou o título a tornar-se bimestral...

Mas então, um artista iniciante, que havia desenhado o herói como coadjuvante em uma história do Homem-Aranha, é convocado a tomar parte da empreitada. Com um estilo detalhista, com importante contraste entre luz e sombras emprestado do cinema noir, dinâmica típica dos quadrinhos japoneses e uma certa afeição por lutas espetacularmente coreografadas como nos velhos filmes de kung fu, Frank Miller tornou-se o mais importante autor do Demolidor de todos os tempos. Assumindo também os roteiros do personagem, Miller mudou completamente o approach da revista, ambientando as histórias em cenários preponderantemente urbanos (e ricos em detalhes), adicionando elementos de artes marciais e cultura japonesa (como a ninja Elektra Natchios e os yakuzas do Tentáculo), criando tramas complexas e valorizando os dilemas vividos pelo personagem. Como desenhista, tinha um estilo dinâmico e fluido, cuja característica noir era incrivelmente acentuada pelo nanquim de Klaus Janson. Uma das cenas mais incríveis da história dos quadrinhos aparece na edição 181 da revista Daredevil: a fuga do Mercenário (Bullseye) da prisão durante uma entrevista para TV, narrada quase quadro-a-quadro (em Natural Born Killers, cujo roteiro é de Quentin Tarantino, notadamente fanático por quadrinhos, tal cena é praticamente recriada). Na mesma edição, a ninja Elektra, grande amor de Matt Murdock, é impiedosamente assassinada pelo vilão, em outra cena de luta bastante ágil.


Miller seria o autor de Daredevil por mais algum tempo, e reassumiria o título poucos anos depois com o ótimo David Mazzuchelli como artista (criando inclusive o aclamado arco A Queda de Murdock), mas esse arco inicial é um marco na evolução dos quadrinhos, tanto devido ao sucesso comercial (que levou a revista a tornar-se mensal novamente) quanto ao prestígio que Miller adquiriu, possibilitando que pudesse se arriscar em empreitadas ainda mais ambiciosas, como Ronin e, especialmente, O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight Returns, de 1986), considerada a pedra fundamental dos quadrinhos com temática adulta ao lado de Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons, além de criações posteriores, como Sin City, 300 de Esparta e Liberdade.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

THE GO! TEAM

Thunder, Lightning, Strike é a coisa mais imediata e catchy que ouvi nos últimos tempos. Quantas boas idéias em um único álbum! Certo, é um disco de 2004 (lançado um ano após nos EUA), reconheço que estou meio atrasado. Mas não tenho culpa se sou remanescente dos que compravam cds importados por 15 pilas nos tempos áureos do real, sou um conservador que ainda adora comprar cds mas não tenho coragem de dispor muita grana para pagar por um álbum simples. Enfim, mesmo com todo esse delay, TLS honra o adjetivo moderno e pop, com suas colagens muitíssimo bem sacadas, fragmentos vocais ecoando a new wave, teclados vintage charmosos e ritmos funkeados incrivelmente dançantes. Ladyflash é, de longe, uma das músicas mais legais que ouvi nesse milênio, parecendo uma versão melhorada dos também bons Avalanches, com algo do saudoso ESG. Ah, mesmo não tendo muito a acrescentar ao que foi dito sobre a banda na imprensa musical, The Go! Team é A banda pra agora... É chato citar o AMG, mas as palavras finais da resenha de TLS são perfeitas: "Cinematic, fantastic, and essential to all who want their music larger than life and rambunctious, Thunder, Lightning, Strike is the kind of record that makes you glad to be alive. What could be better than that?"

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Bad Cover Version

Aah, sing your song about all the sad imitations that got it so wrong
It's like a later "Tom & Jerry" when the two of them could talk
Like the Stones since the Eighties, like the last days of Southfork.
Like "Planet of the Apes" on TV, the second side of "'Til the Band Comes in"
Like an own-brand box of cornflakes: he's going to let you down my friend.

Pulp - Bad Cover Version (We Love Life - 2001)

Incluída no último álbum do Pulp, Bad Cover Version inclui-se entre as grandes letras do mestre Jarvis Cocker, graças ao qual falar em ironia em qualquer matéria sobre o Pulp torna-se redundante. Mas usei o mote apenas para um breve comentário sobre bandas que se arriscam a continuar sem seus líderes naturais ou simbólicos. Dois exemplos gritantes de como isso pode ser danoso para a reputação (mais a curto prazo, pois a longo a tendência é que essas continuações tenham passagem garantida à obscuridade) aconteceram com o Velvet Underground e os Doors.

Após a saída de Lou Reed, que, para este pobre escriba (e provavelmente para a maioria dos mortais) sempre foi o Velvet Underground, o baixista Doug Yule manteve o nome da banda e chegou a lançar um disco (Squeeze, de 1973), desconectado da sonoridade inicial do VU e sem nada que garantisse algum destaque. Não consigo pensar em nenhuma canção marcante desse álbum, mesmo já tendo o escutado diversas vezes à cata de algo que me tenha passado despercebido em outras audições. Seu único mérito foi nomear uma boa banda inglesa de pós-punk/new wave, o Squeeze de Jools Holland.

Em relação aos Doors, os 3 membros remanescentes também tomaram essa infeliz decisão. Não que sua importância tenha sido reduzida na banda. Ao contrário do VU, onde Lou Reed realmente detinha o controle musical absoluto (com contribuições de John Cale, pelo menos nos arranjos, no primeiro álbum), nos Doors boa parte da concepção artística vinha de Ray Manzarek e Robby Krieger. Porém, sem Morrison para canalizar os devaneios da banda, os 2 álbuns lançados são decepcionantes, marcados também pela completa indigência musical. Other Voices (1971) e Full Circle (1972) são até mais variados que os álbuns anteriores, mas acabam soando desfocados e, principalmente, pecam pela falta de composições melhores.

Enfim, mais uma vez, reconheço que Jarvis Cocker estava certo. A bad cover version of love is not the real thing.

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Tesouros perdidos...

Após escrever sobre Letter to Memphis, dos Pixies, tornou-se premente esse tópico. Falar sobre músicas como Heaven Knows I'm Miserable Now ou How Soon is Now? é relativamente fácil. Afinal, são consideradas clássicos dos Smiths tanto por seus fãs quanto pela crítica, além de ambas serem bem conhecidas. E quanto a Frankly, Mr. Shankly ou You've Got Everything Now? Não são canções que costumam aparecer em coletâneas de hits da banda e não são particularmente marcantes, exceto talvez para aficionados ou caso tenham parecido especiais para ouvintes específicos. É sobre essa classe de músicas que versa esse tópico. Canções que nem todos consideram clássicos, nunca foram lançadas como singles, mas que tiveram grande importância para este humilde escriba. Não há nenhum critério específico de seleção, apenas foram escolhidas à medida em que eram lembradas. Levando-se em conta sua insignifância dentro da obra dos respectivos artistas, tal fato é nada desprezível...

1- Smiths - I Know It's Over (The Queen is Dead - 1986)
Fins de relacionamentos são situações normalmente ruins, mesmo quando bem-vindos. A dramaticidade exagerada de Morrissey, tanto vocal quanto liricamente, e o instrumental melancólico traduzem à perfeição tal sensação.


2- Nirvana - Drain You (Nevermind - 1991)
Cavalos de batalha como Smells Like Teen Spirit ou Come As You Are podem até chamar mais a atenção à primeira audição. Mas essa música, escondida na segunda metade de Nevermind, compila a fórmula que salvou o rock no começo da década de 90: distorção, melodia pegajosa, letras angustiadas e com boas sacadas.

3- Stone Roses - (Song for my) Sugar Spun Sister (The Stone Roses - 1989)
A guitarra traça uma bela melodia jangly para a letra doce e os vocais delicados dessa pérola, mostrando que nem tudo eram drogas e raves na Madchester dos Stone Roses. E nos lembrando também que os Byrds foram importantes na formação de Ian Brown e John Squire.

4- Cocteau Twins - Road, River and Rail (Heaven or Las Vegas - 1990)
Chamar Cocteau Twins de etéreo beira o óbvio, mas a tentativa de soar mais acessível no álbum que tornou-se seu canto de cisne atinge a perfeição nesta pequena canção. Um refrão apaixonante, com uma intensidade contida não notada em outras performances de Liz Fraser.

5- Primal Scream - Damaged (Screamadelica - 1991)
Uma triste baladinha "voz e violão" que destoa do desbunde do restante do álbum, um dos símbolos tardios do verão do amor, com seus inesquecíveis hinos Come Together e Loaded. Só para que relembremos que sempre há uma ressaca no pós-balada. Pior ainda se junto da ressaca, houver um pé-na-bunda...

6- Blur - Turn It Up (Modern Life is Rubbish - 1993)
Uma banda empolgada, uma letra animada, uma melodia grudenta. Numa fase pós-shoegazer, ainda sem muita pretensão e cabecismo. Com a explosão do britpop pouco tempo depois, tanto élan foi justificado.





7- Teenage Fanclub - Going Places (Grand Prix - 1995)
Os bons garotos escoceses em mais uma canção de amor, como sempre ecoando os grandes Badfinger e Big Star. Just kick my feet off the ground, I'll embrace the sky. Digno da coleção de figurinhas autocolantes da série "amar é"...




8- Faith No More - Underwater Love (The Real Thing - 1989)
Num álbum essencialmente fácil de uma banda outrora pouco acessível, um aceno ainda mais intenso ao pop. Até hoje, é complicado entender como essa música não virou single e é tão pouco conhecida por quem não ouviu o disco na íntegra.



9- My Bloody Valentine - Drive It All Over Me (You Made Me Realise EP - 1988)
O My Bloody Valentine praticamente deu contornos finais à sonoridade esboçada pelo Jesus and Mary Chain em Psychocandy, pelo menos no que diz respeito ao uso do white noise. Mas ainda faltavam melodias tão perfeitas como essa.



10-Ash - Coasting (There's a Star [single] - 2001)
Antes conhecida das performances ao vivo dessa banda irlandesa, Coasting só se tornou menos obscura quando incluída no lado B do single de There's a Star. Inquietações adolescentes sobre falta de rumo e sensação de vazio que, no fim das contas, não são aplicáveis apenas a adolescentes...