
Desde a metade dos anos 90, conhecia a banda Cracker, uma daquelas que apareceu na ressaca pós-grunge tocando rock tradicional com guitarrinhas levemente distorcidas, influências de folk e produção careta. Uma espécie de Hootie and the Blowfish um pouco mais alternativo, na verdade. Tiveram até um pequeno hit (Low), que chegou a tocar razoavelmente bem na MTV. Mas estavam longe de ser algo digno de destaque, apesar de ter um certo apelo na então terra de Bill Clinton.
Muitos anos depois, encontrei numa promoção de queima de encalhe vários cds de uma banda chamada Camper Van Beethoven. A princípio, adorei o nome da banda e a capa de seu álbum auto-intitulado. Resolvi levar alguns por curiosidade. E valeu demais a pena. Aí, fui descobrir que o líder do insosso Cracker, David Lowery, tocou essa banda durante a segunda metade da década de 80 e fui obrigado a revalorizar o cara... Prenunciando o crossover geral que marcaria a década seguinte, o CVB trabalhava sobre uma base folk caótica, com fragmentos de pós-punk, ska, psicodelia e new wave, com letras nonsense e ecos de coisas tão díspares como Velvet Underground, Love, Madness e Byrds. Uma espécie de early R.E.M. lo-fi, num nível de desencanação tão alto que ocultava a pretensão das fusões da banda, mas ainda assim capaz de forjar grandes canções como Take the Skinheads Bowling (já regravada pelos Manic Street Preachers), Wasted e Joe Stalin's Cadillac. Chegaram inclusive a gravar na íntegra
um dos clássicos do soft rock americano, Tusk, do Fleetwood Mac, dando roupagens inimaginadas aos clássicos de Stevie Nicks e companhia, com toques de ska, funk e punk distorcendo as composições originais. Enfim, uma descoberta e tanto... Sempre achei estranho que Lowery tenha produzido bandas como o Sparklehorse, mas após descobrir o CVB ficou tudo mais claro. Digamos que quem produziu a banda de Mark Linkous foi o cara do CVB e quem produziu Joan Osborne e Counting Crows foi o líder do Cracker. E tenho dito...


























