terça-feira, 29 de maio de 2007

Sinfonia da destruição na meia-idade

Falar qualquer coisa sobre Lou Reed sempre soa redundante. É como discutir as obras de Bowie, Beatles, Marvin Gaye, Stones ou Sabbath. Nunca há grandes novidades ou sacadas originais a ser ditas sobre coisas já tão (bem ou mal) dissecadas perante o grande público. O que resta aos pobres mortais é conhecer seus trabalhos e delinear suas próprias preferências e opiniões a respeito. Ecstasy, álbum de Reed lançado em 2000 e hoje relegado ao esquecimento como quase tudo que o mestre lançou após os grandes New York (tributo lançado em 1989 à cidade que, mais do que mero cenário, é praticamente um dos personagens principais de tudo que ele já escreveu e cantou) e Songs for Drella (homenagem de 1990 a Andy Warhol, feita em parceria com o parceiro/desafeto John Cale, que veio a mostrar a sinergia da crueza de Reed e a contemporaneidade de Cale, já ouvida antes nos dois primeiros trabalhos do Velvet Underground), é bom exemplo de como é possível ser relevante trabalhando sobre temas triviais. Fundado numa econômica base guitarra-baixo-bateria ora suave, ora quase punk, o álbum é praticamente uma obra conceitual sobre casamentos, sua evolução e seu fim. Tratando a famigerada instituição burguesa em alguns momentos com desprezo, noutros com carinho e, na maior parte do álbum, com desapontamento e melancolia, Reed traça um perfil amargo sobre a finitude dos sentimentos e a estreiteza de princípios que regem as uniões. Infidelidade, paranóia, desonestidade, os filhos e seu peso, a morte do amor como força criadora. Usando de letras aterradoramente simples e sarcásticas, restam poucos tijolos intactos após o vendaval de constatações vomitadas com rancor por Reed (I need a guru / I need some law to explain to me the things we saw / why it always comes to this / it's all downhill after the first kiss, em Modern Dance; Some people yell and scream / and some do not / Some people sacrifice their lives / and some do not / Some people wait for sleep / to take them away / While others read books endlessly / hoping problems will go away, em Tatters). Há tempo para questionar a importância do amor e qual seu papel em um relacionamento, numa das mais belas letras de Reed (What do you call love / Well I don't call it family and I don't call it lust / and as we all know marriage isn't a must / And I suppose in the end, it's a matter of trust / if I had to I'd call love time Well for me time has no meaning, no future, no past / and when you're in love, you don't have to ask / There's never enough time to hold love in your grasp turning time around, em Turning time around). O pesadelo da meia-idade desemboca na catártica Like a Possum, onde o encadeamento de desilusões acaba numa surreal possessão demoníaca, que dura longos (e modorrentos) 18 minutos, entre gritos, microfonias e cantos sobre bestialidade, drogas e loucura. Porém, quase inesperadamente, existe alguma esperança, trazida em Big Sky, nos lembrando que, após tudo, nossa hipocrisia nos garante a possibilidade de remissão para que possamos repetir os mesmos erros ad infinitum. Um disco subestimado de um músico que merece ser ouvido com atenção mesmo em seus momentos menos luminosos.

domingo, 27 de maio de 2007

Meninas superpoderosas


Meninas de sorte as pós-adolescentes da atual década. Faz todo o sentido do mundo chamar Dolores O'Riordan (vocalista dos Cranberries) de voz feminina dos anos de 90. Mas um sentido pejorativo em relação a tal decênio. O espírito de transgressão feminina na música da década passada pode ser facilmente dividido em 3 grandes segmentos: a agressão político-social a cargo de Dolores, o fashionismo blasé decadente de Shirley Manson (Garbage) e o feminismo barato e pós-adolescente de Alanis Morissette, ignorando propositalmente a violência gratuita e sem absorvente das riot grrls (L7, Bikini Kill, Babes in Toyland). Mas nenhuma delas exala o frescor e espontaneidade de meninas como Lily Allen, Amy Winehouse ou mesmo Regina Spektor. Vejo nas primeiras uma evolução do tapa-na-cara pasteurizado de Sinéad O'Connor, por exemplo. Em resumo, gente que tenta hiperbolizar o banal até torná-lo épico. Com a nova geração, um boquete no cinema é simplesmente um boquete no cinema, não uma representação icônica de décadas de opressão. Essas meninas que bebem e trepam pra se divertir (e não pra agredir e mostrar o quão independentes conseguem ser) são muito mais bem resolvidas...

Menos piadinhas fariam bem

O segundo álbum do trio Faichecleres (A calçada da fama) praticamente aprimora a fórmula de sua estréia (Indecente, imoral e sem-vergonha, de 2004). Por um lado, isso é ótimo: a sonoridade mod/garage rock à Kinks/Who/early Stones continua intacta, com um avanço melódico bastante notável. Por outro, mantiveram-se as letras monotemáticas sobre sexo/meninas/malandragem, com direito a todas as tiradas mais infames do gênero "duplo-sentido". E como cansam... Nada contra, o rock sempre foi (e deve ser) sacana, desde seu batismo (rock'n'roll, para quem não sabe, é uma gíria sulista norte-americana para cópula), grandes obras giram em torno do tema inclusive, mas um pouco de sutileza em certos momentos talvez soasse melhor. No aspecto estritamente musical, sem queixas. Quem gosta de rock sessentista básico deliciar-se-á com a sonoridade "Kinks e Who encontram a Jovem-Guarda" de A calçada da fama, O que eu bem entender e O seu cafajeste, além da reverência explícita às franjinhas merseybeat de Beatles, Hollies ou Herman's Hermits de Alice D., O otário ou Beibê, eu só te quero na minha cama. Nada de regionalismos baratos para fazer média com crítico engajado ou elementos fora de lugar para soar moderno. Muito mais bem resolvido do que qualquer coisa gravada pelo Cachorro Grande, só para ficar na mesma praia.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Eles foram nu metal...

A primeira coisa que ouvi do Incubus foi uma música na trilha sonora de Spawn, em 1998 ou 99, parceria com um tal DJ Greyboy. Na época, ainda ouvia bastante metal, inclusive o dito nu metal, e achava Korn, Limp Bizkit e Deftones legais, então foi fácil gostar do tal Incubus (cujo nome parecia coisa de black metal, diga-se). Seu álbum da época, S.C.I.E.N.C.E., parecia uma versão adolescente atualizada do funk metal putaria do Faith no More, especialmente os vocais do então magrelão com bigodinho safado Brandon Boyd. Os álbuns seguintes melhoraram bastante minhas perspectivas quanto à banda, ao abrirem as portas para um som mais pop; eu e os caras tínhamos crescido um pouco e precisávamos de coisas como Drive (do bom Make Yourself) e Warning (do excelente Morning View), precisas e com groove. Não mudaram o mundo, mas eram boas músicas em bons discos, numa época em que nu metal passou a ser sinônimo de lixo. Agora, passados alguns anos, com o Limp Bizkit e seu infame líder Fred Durst quase esquecidos, o Korn se atolando com um unplugged pra lá de inoportuno e os Deftones cada vez mais isolados com seu nu metal cerebral (como dito pelo Marco Bezzi numa resenha pra Bizz), o Incubus talvez seja a última banda do gênero com os pés fincados no chão que ainda lance alguma coisa aprazível (descontando coisas como Linkin Park, que sempre deixaram claro que seu target era o público menor de 14 anos de idade). Light Grenades, lançado por esses meses, é bom exemplo disto. Grudento e acessível, mantém ainda algum suíngue, o agora quase-sex symbol Boyd consegue fugir das comparações com Mike Patton com vocais variados e grande percepção pop e a banda segue fazendo um rock honesto e bom de ouvir. Seja chafurdando nas afinações baixas outrora tão caras em Dig ou A Kiss to send us off, na delicadeza da balada Love Hurts (não é cover do "crássico", apesar de a letra ser igualmente piegas), voltando a pegar pesado no groove metalizado em Diamonds and coal e na ótima Rogues, a banda parece ter chegado a uma identidade musical bem delineada, sem grandes pretensões, mas sempre eficiente. Enfim, mais um ponto alto na carreira dos caras.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Macacos sem fôlego

Louvável a atitude de uma banda nova em lançar um segundo disco sem a menor pretensão de mudar o mundo ou demonstrar uma falsa evolução, especialmente quando um ano o separa da estréia da mesma. Afinal, os Arctic Monkeys ainda são os mesmos caras (com exceção da troca de baixistas) de vinte e pouquinhos anos... Mas um tiquinho de vigor pra manter o pique era fundamental. No début (Whatever people say I am, that's what I'm not), amado por muitos, odiado por muitos mais (mais pelo hype exagerado do que propriamente pela música), pelo menos havia catchy songs aos borbotões (da disco punk grudenta de I bet that you look good on the dancefloor ao pop sessentista de Mardy Bum, passando pelos momentos "Libertines com melodia" de A certain romance, Fake tales of San Francisco e When the sun goes down). Mas em Favourite Worst Nightmare, que começa a toda octanagem com as guitarras pesadinhas de Brianstorm, o caldo entorna rapidamente. Há poucos ganchos e, com exceção da faixa inicial, do momento Franz Ferdinand em Teddy Picker e da nova (e ótima) referência ao pop 60's em Fluorescent Adolescent (facilmente a melhor música do álbum, com suas referências a doo wop e rock de garagem clássico), nada mais chama a atenção, fazendo com que o álbum se pareça com uma coleção de b-sides indistinguíveis e sem graça. Ponto positivo pela autenticidade em lançar um disco despretensioso, negativo pela falta de inspiração.

sábado, 12 de maio de 2007

Não vai mudar a vida de ninguém, mas é muito legal

Foi o que pensei após ouvir o segundo álbum do Razorlight, epônimo. Não há originalidade, mas o trabalho artesanal na reciclagem de boas referências de soft e college rock e power pop merece bom crédito. O clima new wave de In the morning, a dor de corno blue-eyed Motown de Who needs love? (na mesma vertente de Under Control, dos Strokes), a referência (ou reverência) explícita ao REM em Pop Song 2006, a batida levemente country de Kirby's house, todos os elementos/clichês funcionam às mil maravilhas, logicamente amparados por belas composições. Não descobriram a roda, mas deixaram um dos melhores trabalhos pop nota 8 do ano, ao lado das estréias de Feeling (Twelve Stops and Home) e Mika (Life in Cartoon Motion).

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Audições aleatórias

Electrafixion - Lowdown O segundo single do projeto mezzo pesadinho mezzo etéreo dos então ex-Echo and the Bunnymen Will Sergeant e Ian McCulloch põe no chinelo boa parte do álbum que ambos lançaram sob esse nome. Na verdade, os b-sides soam muito mais como o próprio Echo do que o disco. E são mais legais que a produção recente da banda titular(Flowers, Siberia).



Small Faces - Ogden's Nut Gone Flake Em 1967, todo mundo resolveu se tornar psicodélico. Os Small Faces (uma espécie de The Who do B) também, e deixaram essa maravilha para a posteridade. Orgulho britânico e lisergia bem dosadas em grandes canções, como Lazy Sunday, Afterglow e a suíte Happiness Stan. Mais legal que os Stones psicodélicos de Their Satanic Majesties Request.



The Jesus and Mary Chain - Automatic A sonoridade é muuuito datada. Mas as músicas não, felizmente. Afinal, como um disco que tem Head on, Blues from a Gun, Gimme Hell e Halfway to Crazy pode ser ruim? Esqueça a bateria eletrônica e o baixo sintetizado e caia de cabeça no álbum que dosou a barulheira de Psychocandy e a melodia de Darklands, com um belo aceno para o mainstream.



Eddie and the Hot Rods - The End of the Beginning Punk rock pode soar muito repetitivo e maçante. Mas essa coletânea mostra que também pode ser divertido, estimulante e nem tão descartável quando bem executado. Influências de Them e Dr. Feelgood na caruda, energia primal e muita gana nas interpretações, sem muita seriedade. Isn't it what rock'n'roll was supposed to be?



Black Beat Kenneth Gamble e Leon Huff são freqüentemente lembrados como os caras que fizeram a transição entre o soul/funk mais pesado e menos acessível da gravadora Stax com o lado mais mellow da Motown, diluindo o som denso com vocais mais delicados, muitos metais e batidas disco em canções mais curtas. Disso nasceu o Philly sound (ou soul da Philadelphia), tema dessa coletânea. Discussões sobre comercialismo à parte, a obra de gente como Harold Melvin and the Blue Notes, Isley Brothers e O'Jays dispensa críticas. Som que desce liso, chega macio até a pelve e culminou nos bailes black da década de 70.

terça-feira, 8 de maio de 2007

That's 70's show

Poder gastar uma tarde toda ouvindo álbuns de boogie e hard rock setentão é quase uma bênção. É legal e desafiador ouvir sons mais elaborados ou instigantes, mas na hora H sempre cai bem ouvir o arroz com feijão roqueiro que, verdade seja dita, foi consolidado por estas bandas, de Led Zeppelin e Free a Allman Brothers Band e Lynyrd Skynyrd, todos bebendo na fonte bluesy dos Rolling Stones e embalando o som em uma temática redneck estradeira irresistível em sua obtusidade.

Uma recém-lançada coletânea dos Doobie Brothers foi o pontapé inicial da jornada. Guitarras espertas, linhas de baixo discretas porém sinuosas, um sabor country que nunca chega a ser exagerado emoldurando letras sexistas e hedonistas na medida. Listen to the Music, Jesus is just Alrigh, Long Train Runnin' e Rockin' down the Highway traduzem bem o espírito. As faixas mais tardias, com uma influência de soul plastificado e mais adultas perdem o fio da meada, mas mantêm alguma dignidade.

O álbum Rocks do Aerosmith é, na minha opinião, a pedra fundamental do estilo. Alunos aplicados, Steven Tyler e Joe Perry buscam inspiração no groove zeppeliniano, sem perder de vista as lições deixadas por Jagger & Richards. Rock safado, despudorado, exagerado e despretensioso, como um Led Zeppelin sem grandiloqüência, focado em vocais rasgados e riffs matadores (e que riffs...) em um disco que não tem um único ponto baixo. Rock de arena antes que esse termo se tornasse pejorativo.

O Grand Funk Railroad talvez seja um dos menos lembrados do gênero. Mas têm seu valor, e suas músicas grosseiras e cheias de punch se adequam bem ao sabor testosterônico do público-alvo. A coletânea Collector Series de 1991 dá um apanhado interessante na carreira, sem esquecer os principais pontos como Inside Looking Out, Closer to Home, Footstompin' Music, We're an American Band e o acento mais pop de The Loco-motion. Rock burrão, sem nuances ou sutilezas. E excelente.

Enquanto segmentos do rock caminhavam por outros caminhos, herdados de estruturas mais livres, a partir de psicodelia, jazz fusion, atonalismo e música proto-eletrônica e étnica, os agora tiozões (quase avós) preferiram manter essa mística anti-intelectual, quadrada e cercada de groupies gostosas. Os nerds reclusos e inexpressivos que precisavam de catarse agradecem...

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Kaiser Chiefs - Yours Truly, Angry Mob

Ouvir um disco após ler várias resenhas sobre o mesmo pode ser extremamente frustrante e previsível. Ou surpreendente... Felizmente, foi o caso desse segundo play dos Kaiser Chiefs. Esperava encontrar um trabalho sem fôlego, repetitivo e sem grandes atrativos, graças aos comentários desanimados que havia lido. Mas me deparei com um álbum conciso, bem produzido, com várias catchy songs e boas idéias. Musicalmente, a banda continua reprocessando o mod tardio do Jam via Blur, com um sabor 80s herdado da new wave e um pé fincado na psicodelia de garagem mais light. Mas as músicas são tão exatas e imediatas que fui fisgado de cara, sem maior esforço. Ruby é fantástica, com sua vibe sessentista, sua letra sarcástica e seu ritmo contagiante e refrão forte. Perfeita... The Angry Mob mantém o pique, assim como Heat Dies Down. Love's not a Competition (But I'm Winning) engana com seu título ululante, mas é muito grudenta e imediata, lembrando bons momentos do pop oitentista, inclusive coisas manjadas como Church, Lloyd Cole e Echo and the Bunnymen. E as músicas vão seguindo sem pontos baixos, mesmo sem nada genial. A bela I Can't Do It Without You lembra os primeiros trabalhos solo de Morrissey, com uma pegada menos autopiedosa. Everything is Average Nowadays desperdiça uma boa chance de desenvolvimento lírico, mas musicalmente é um power pop tão perfeito, numa linha Cheap Trick com algo de Cars que se torna difícil não se levar pelo som. Boxing Champ, não creditada, é uma lição de como uma balada pode ser melancólica e bem humorada, ao falar sobre envelhecimento e dificuldades de ajuste. Try your Best começa sem maiores expecatativas, mas cresce em um clímax quase épico próximo do fim. A última faixa, Retirement honra a falta de noção lírica da banda, mostrada no álbum anterior (alguém se lembra do verso "Pneumothorax is a word that is long", de Saturday Night?), sendo talvez o ponto mais baixo do álbum. E a música nem é ruim! Enfim, devo ser um dos poucos a considerar que os caras evoluíram desde Employment, mas achei o disco muito coeso e cheio de boas canções, com uma homogeneidade que não se torna maçante em momento algum.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Klaxons - Myths of the Near Future

A tal "new rave" já foi tão dissecada nos últimos meses que nem vale mais a pena ficar naquele papo de "é rave mesmo?", "é new mesmo?" que vem imperando quando se fala nos Klaxons e em seus coleguinhas menos hypados como Simian Mobile Disco e Shitdisco. Levando em conta, apenas o primeiro disco dos Klaxons, posso dizer que muitas comparações são um tanto indevidas (não tem tanto em comum com a cena indie dance de Madchester 'circa 90, exceto pelo som ser rock dançante) e muitos comentários empolgados foram meio exagerados. O disco é legal à beça, isso é inegável. Batidas disco, alguma eletrônica, boas guitarradas, psicodelia light, alguns belos pontos altos: Atlantis to Interzone, Golden Skans, Magick, It's not over yet e Four horsemen são realmente fodaças. A produção poderia ser um pouco mais lapidada, mas também não é essa merda tão enorme que andam comentando. Pena que às vezes, o som fique um tanto repetitivo em meio à maçaroca sonora que dilui boas idéias em músicas um tanto insossas. De qualquer forma, convenhamos... é uma ótima estréia. Dá pra ficar ansioso pelo segundo álbum, com toda a certeza.

terça-feira, 1 de maio de 2007

Eu não disse?

"Rolling Stone publica lista dos artistas mais embaraçosos da história

A revista Rolling Stone americana publicou uma lista feita com a ajuda dos leitores elegendo os 25 artistas que as pessoas mais se envergonham de admitir que gostam. Nomes do rock progressivo aparecem ao lado de nomes do hard rock, do soft rock e até de cantores brega-românticos. Segue abaixo a lista completa:

01 - Rush
02 - E.L.O.
03 - Journey
04 - ABBA
05 - Chicago
06 - Boston
07 - Foreigner
08 - Bread
09 - Bon Jovi
10 - New Edition
11 - The Monkees
12 - Motley Crue
13 - STYX
14 - Eddie Money
15 - Simply Red
16 - Kelly Clarkson
17 - America
18 - Wham
19 - R.E.O. Speedwagon
20 - Poison
21 - Lionel Richie
22 - Kansas
23 - Air Supply
24 - Hall & Oates
25 - Britney Spears"

É tudo tão uncool assim? É óbvio que muitas dessas coisas ainda freqüentam minha discoteca por razões quase que apenas pessoais/afetivas, mas tachar todos esses artistas ou grupos como intrinsecamente ruins me parece um grande exagero... Alguns dos citados merecem comentários à parte.

1- Rush: é legal, ponto final.
2- E.L.O.: é exagerado, as letras são pífias, em resumo, é completamente brega. Mas, porra, quem vai dizer que as melodias de Living Thing, Sweet Talking Woman ou Evil Woman são de todo ruins? Acho que vale a pena possuir pelo menos uma coletânea da banda.
8- Bread: se a baba escorre pelo Teenage Fanclub ou pelo Fountains of Wayne é legal, pelo Bread não. Preconceito bobo de indie recalcado.
11- The Monkees: ah vá. Embaraçoso é o caralho! E não é só da fase psicodélica e autoral, mesmo a anterior tem muita coisa que vale a pena.
12- Mötley Crüe: desafio alguém a citar 5 hard rocks dos últimos 10 anos que cheguem perto de Shout at the Devil, Looks that Kill, Too fast for love, Same ol' situation ou Primal Scream!
15- Simply Red: quem tem a minha idade e nunca usou de For your babies ou Stars (com gosto) para conseguir alguma coisa, que atire a primeira pedra.
17- America: repito o que disse a respeito do Bread.

Esse papo bobo de música de responsa versus música descartável já deveria ter sido enterrado há tempos. E estou surpreso por não haver mais progs nessa lista...